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Em 1937, os primeiros jovens da CIP já se reuniam para atividades educativas e recreativas. Após mais de 70 anos, o Departamento de Juventude da Congregação, através de seus projetos e ações, continua priorizando a preservação de nossa história e cultura através do comprometimento dos nossos jovens. Conheça um pouco mais do trabalho desenvolvido pelo departamento através dessa entrevista realizada com o sheliach Mariano Saragosti.
Qual é a estrutura atual do Departamento de Juventude da CIP?
[Mariano] O Departamento de Juventude conta com uma equipe bastante competente de voluntários e profissionais. Miriam Vasserman é nossa diretora e Flávio Moreira, braço direito da Miriam, é nosso vice-diretor. Com exceção de mim, que acompanho todos os projetos do departamento, cada um deles possui um responsável. A Taly Szwarcfiter cuida das atividades de Campos de Jordão; a Ciça Zylberstajn é a responsável pela Central de Recursos Maayan e pelo Manhigut, que é um curso de capacitação para os futuros madrichim; depois temos a Juliana Alvarez, que cuida do Shabat Ieladim, que traz atividades e brincadeiras paras as crianças enquanto seus pais estão acompanhando o serviço religioso, e do Shaat Sipur, que acontece todos os sábados e oferece atividades para crianças de três a seis anos de idade.
E como é o funcionamento dessas atividades? O que cada uma oferece aos jovens da CIP?
[Mariano] Para melhor explicar, podemos dividir o departamento de acordo com a faixa etária para qual é voltada cada atividade. O Shaat Sipur, que acontece todos os sábados das 14h30 às 17h, traz atividades culturais e educativas e seu objetivo é trabalhar a cultura israelense por meio da língua portuguesa. É o canal de entrada nas atividades que a CIP oferece às crianças, e lá ela passa, em média, dois anos. Como disse, anteriormente, o projeto é coordenado pela Juliana Alvarez e temos reuniões periódicas para discutir as ações realizadas e trocar idéias sobre possíveis novas atividades.
Ao completar seis ou sete anos, a criança pode escolher fazer parte de um dos dois movimentos juvenis que são mantidos pela CIP, que são a Chazit Hanoar e a Avanhandava. Os grupos se reúnem aos sábados e têm atividades durante todo o ano. A Chazit Hanoar é focada mais nas questões sionistas, assim como os movimentos juvenis judaicos mais tradicionais; enquanto a Avanhandava trabalha através do escotismo e do bandeirantismo e é filiada à União dos Escoteiros do Brasil e à Federação das Bandeirantes do Brasil. Os temas Judaísmo e Israel também estão envolvidos nas atividades propostas pelo grupo.
Além desses dois projetos, os jovens da CIP podem participar também das Colônias de Férias em Campos do Jordão, durante o mês de julho. E os chanichim que participam da Chazit e da Avanhandava também têm a opção de passar seu período de férias lá. Os jovens têm, no final das contas, três opções de atividades para o mesmo período: os acampamentos da Chazit Hanoar ou da Avanhandava e as Colônias.
Para os chanichim que já se tornaram Bat ou Bar-Mitsvá e que gostariam de tornar-se madrichim, o Departamento de Juventude oferece o curso Manhigut. Coordenado pela Ciça, o projeto acontece às sextas-feiras e visa, além da capacitação de liderança, a formação do caráter e dos valores dos nossos futuros líderes. Tenho reuniões semanais com a Ciça para discutir os direcionamentos do curso, pensar em soluções para situações específicas, e tudo mais.
Paralelamente, quando os jovens chegam ao último ano do ensino médio, a CIP oferece o programa Shnat. O curso de capacitação voltado para os madrichim, dura um ano e é realizado em Israel. Até o momento, apenas os jovens da Chazit e da Avanhandava estão participando. Nossa idéia é que, no futuro, os madrichim de Campos também possam participar do programa. Depois que retornam, esses jovens ficam de dois a três anos como peilim dentro de cada tnuá, geralmente como líderes desses movimentos.
Além de todos esses projetos e atividades, a CIP também tem o Conselho Juvenil Sionista, com reuniões quinzenais. Temos encontros com dois representantes da Chazit, dois da Avanhandava e um das Colônias, a presença dos diretores, Miriam e Flávio, e das professoras, Taly e Ciça. Eu também participo. A idéia é trocarmos informações, é saber o que está acontecendo em cada canto da Juventude da CIP.
Além do Conselho da CIP, existe também o Conselho Juvenil Sionista de São Paulo, que reúne todas as tnuot do estado. Chazit e Avanhandava têm representantes no Conselho Estadual, e lá mostram as atividades e ações por nós desenvolvidas.
Existem planos para novos projetos?
[Mariano] Até o ano passado tínhamos o curso Madregot, que era uma terceira opção para os jovens que não se identificavam com as propostas da Chazit Hanoar ou da Avanhandava, apesar de quererem continuar seus estudos e manter seu vínculo com a Juventude da CIP. Todas as sextas-feiras eles tinham acesso a atividades recreativas que enfocavam também Israel e Judaísmo. Por conta da procura muito maior daquela que estávamos esperando, já estamos preparando um outro curso com a mesma proposta para o segundo semestre deste ano. Será uma versão melhor estruturada do Madregot e que contará com a participação dos madrichim das Colônias. E esse será um diferencial importante, já que o curso anteriormente era ministrado por mim e por uma madrichá não pertencia à CIP. Essa identificação com os madrichim que os jovens já conhecem vai favorecer ainda mais o sucesso do projeto. Os madrichim de Campos já estão em contato com a proposta desse novo curso e estamos procurando mais voluntários que gostariam de trabalhar conosco. Acreditamos que a aproximação entre os madrichim e esses chanichim, por assim dizer, torne a tarefa um pouco mais fácil e nos dê resultados ainda melhores.
Após a conclusão do Ensino Médio, o jovem estaria meio que saindo da comunidade, finalizando sua participação. Veja bem: nós entendemos a importância de um período onde eles fiquem um pouco de fora das atividades junto à comunidade, é preciso que eles ‘respirem outros ares’. Mas depois desse tempo, quando eles já estão na faculdade, procurando seu primeiro emprego, eles costumam perceber como nós, judeus, somos poucos, como nossa família é ainda menor do que pensávamos. E isso fica mais evidente quando eles não estão diretamente envolvidos com os movimentos judaicos e com os amigos que eles fizeram nesses grupos. E aí, nessa hora, eles querem voltar a ter algum contato, alguma participação na comunidade. Mas voltar para o quê? Lamentavelmente, em São Paulo não existem muitas opções para essa faixa etária, para esse grupo em específico. Então estamos perdendo jovens que não têm achado uma resposta para suas necessidades nesse momento de suas vidas. Então, um pequeno grupo de jovens e eu resolvemos pensar na criação de um novo grupo, o Universitários, e, assim, poder dar a resposta certa a esse grupo. Já estamos em processo de desenvolvimento das ações que serão realizadas nesse projeto.
Outra coisa importante é que, utilizando a bandeira do programa Liana Friedenbach, estamos desenvolvendo projetos para arrecadar fundos para a Juventude. Nosso objetivo é que a CIP não precise arcar sempre com todas as despesas do departamento. Somos parte da Congregação e nosso objetivo é ajudar a entidade com os nossos custos. Queremos ver o jovem mais comprometido com a CIP, se esforçando para ajudar a entidade.
O interessante do projeto Liana Friedenbach é que os pais também têm mostrado interesse em participar. Isso nos dá uma ótima mistura entre pais e madrichim, e acredito que esse tipo de ação pode dar muito certo para o futuro da CIP.
Como sheliach, qual ação você considera a mais importante realizada por você junto aos grupos da Juventude?
[Mariano] E acredito que entrar na Casa da Avanhandava foi meu melhor trabalho aqui na CIP. Antigamente os shlichim não trabalhavam junto à Avanhandava, ou trabalhavam muito pouco. Eu comecei a trabalhar com o grupo, fui muito bem recebido e tudo tem dado muito certo. Costumo passar peulot para os madrichim e para os chanichim, para quem também preparo algumas palestras. Pude passar mais informações e atividades sobre Israel, por exemplo, que é algo que eles até então não tinham muito contato.
Qual foi o maior benefício para o depto. resultante da participação mais ativa do sheliach em todos os projetos?
[Mariano] Para mim o benefício mais óbvio é o início de um contato mais forte entre cada um dos grupos e projetos. Quando cheguei à CIP o departamento já existia, os grupos já existiam, mas o contato entre eles era nulo, zero. Um grupo quase não sabia nada sobre os outros. Mas a questão é que eles não se conheciam. Depois que passei a trabalhar com todos os grupos e a levar informações de um lado para outro, eles passaram a se conhecer melhor e começaram a se ajudar. Foi quando perceberam que são realmente uma família e começaram a agir como tal. A CIP seria o pai e eles, os filhos. Mas são como filhos que estudam em cidades diferentes, tem interesses diferentes.
Nossos grupos já têm projetos em comum, inclusive. Além da participação deles nos Conselhos Sionistas, tanto da CIP como o estadual, eles têm outras atividades em conjunto. Como, por exemplo, a atividade de Simchá Torá do ano passado, quando todos os madrichim participaram; as festas de Purim do ano passado e deste ano, que também contou com a participação de todos.
Chazit Hanoar, Avanhandava e Campos são atualmente os maiores grupos do Departamento de Juventude. Sendo que Campos tem passado por um ótimo período de crescimento. E o aumento no número de madrichim e chanichim desse grupo é muito importante, já que antigamente nenhum sheliach trabalhava com as Colônias. E isso tem acontecido graças à Taly. Sempre vou agradecer a ela por ter aberto uma porta para mim junto ao grupo. Comecei a ser convidado para participar das colônias, indo para lá, passando alguma atividade e voltando. Depois comecei a passar dois dias e, no final, passava três dias com cada colônia, com cada turma, passando uma ou duas atividades, participando das atividades deles e, junto com a Taly, dos encontros com os madrichim, onde falamos sobre como foi o dia e preparamos as próximas atividades. Até que em dezembro de 2007 fui para Campos como coordenador das colônias. Acho que essa foi uma vitória muito importante. Essa aproximação com as Colônias e com a Avanhandava foi decisiva para o crescimento do Departamento e melhoria de suas atividades.
Como os grupos de jovens da CIP têm interagido entre si?
[Mariano] Através dos encontros do Conselho Sionista da CIP, os grupos têm tido a oportunidade de ajudar uns aos outros, discutir questões, sugestões ou mesmo situações problemáticas e chegar juntos a conclusões e respostas. E, além disso, essas reuniões facilitam a criação de projetos em conjunto. Por exemplo, a falafada em comemoração a Iom Haatzmaut que acontecerá em 10/05. Com a presença dos madrichim de Campos, da Chazit e da Avanhandava, o evento será seguido de uma balada. Pois temos que lembrar que pertencemos a uma comunidade, à CIP, mas não podemos esquecer que eles são jovens.
Nossa idéia é misturar as atividades próprias da idade deles com as da CIP, e isso tem dado muito certo. Hoje temos muito mais proximidade entre os grupos, uma troca de informação muito importante entre eles. Algo que não tínhamos antigamente e que tem resultado em projetos muito legais.
Como é a relação da Juventude da CIP com as escolas judaicas de SP?
[Mariano] Cada projeto da Juventude desenvolve suas próprias ações. Por exemplo, com a Chazit Hanoar para Iom Haatzmaut levaremos entre 200 e 300 estudantes do Bialik para o Macabi Tremembé. Lá eles passarão o dia inteiro fazendo oficinas sobre Israel. O objetivo é mostrar a esses estudantes uma outra forma de aprendizado através da educação não-formal. E isso através do trabalho da Chazit Hanoar. Com a Avanhandava, geralmente vamos às instituições de ensino e montamos as sucot no período da festa. No ano passado, por exemplo, levamos 150 alunos do Bialik a um sítio, onde fizemos, durante toda a manhã, uma atividade sobre Lag Baomer.
Temos como um de nossos principais interesses nos aproximar das escolas judaicas, criar atividades que sejam interessantes para as instituições e, a partir disso, mostrar nossa cara, nossa responsabilidade e seriedade.
Cada movimento tem um representante que entra em contato com as escolas. Ano passado tínhamos preparado uma atividade de Lag Baomer que seria realizada com o Peretz, mas acabou que, no último momento, não deu certo. Para este ano, o Peretz convidou a Chazit Hanoar, a Avanhandava e as Colônias de Campos para participar de suas atividades de Iom Haatzmaut, criando atividades para os alunos. Talvez a até então pouca participação das nossas tnuot junto às escolas fosse por conta da falta de divulgação dos trabalhos que realizamos. Atualmente, além do representante de cada tnuá, as visitas às escolas para apresentação dos grupos são acompanhadas pelo sheliach também. E isso dá mais seriedade à situação.
Além das atividades com o Peretz, teremos uma reunião com a diretoria do Bialik para definirmos melhor as atividades de Iom Haatzmaut no Macabi Tremembé. Com o Renascença estamos acertando uma atividade com os grupos da CIP, que criarão mini-peulot para os intervalos das aulas, coisa de 15 a 30 minutos.
Esperamos que, no futuro, as escolas nos dêem mais oportunidades de integração com seus alunos. Os jovens da CIP são muito sérios, e isso vai continuar favorecendo o aparecimento de oportunidade de trabalho em conjunto com as entidades de ensino judaicas.
Como o Departamento de Juventude trabalha a questão ‘confiança’ com seus grupos? Até que ponto é válido ou não alimentar a independência e a tomada de decisões por parte deles?
[Mariano] Bom, aí entra também meu jeito de trabalhar com eles. Eu tenho uma personalidade muito forte, mas graças a Deus, essa nova liderança da Chazit e da Avanhandava tem aberto todas as possibilidades para a realização de um bom trabalho. Não é que eles sozinhos tomem as decisões. Eles falam, perguntam, expõem seus pontos de vista. E tem uma comissão para cada ação, cada projeto: educação, marketing, eventos externos. Cada comissão tem um representante e esse representante está sempre em contato comigo. E nós conversamos bastante sobre os projetos: como eles estão, quais são os objetivos, se existe alguma dificuldade. Eu sempre falo o que acho. Como educador, como pai, como judeu e como israelense. Mas eu nunca falo pra eles o quê fazer. Minhas frases sempre terminam do mesmo jeito e eles até fazem piadas sobre isso. Eu digo: ‘Vocês já sabem o que eu acho. Agora a decisão é de vocês’.
Acredito que, que quando as pessoas dizem que os jovens não são comprometidos, é porque elas não conhecem os jovens. Os jovens são sérios, sim. Claro que eles têm o seu jeito próprio de pensar e de agir. E se nos aproximássemos mais deles, se interagíssemos mais, receberíamos ótimas respostas.
A juventude da CIP é muito séria, quer fazer muita coisa. Tanto dentro da CIP como fora dela, também através de ações sociais de temática brasileira envolvendo ou não judaísmo. E especialmente voltados para a educação dos jovens. Nossos jovens acreditam que a melhor educação, a mais eficiente, é aquela que é feita de jovem para jovem. Obviamente o processo tem algumas dificuldades, mas não quer dizer que não funcione. E minha preocupação é a de sempre manter essa comunicação com eles. Mostrar que estou sempre por aqui. 24 horas por dias, sete dias por semana. Eles sempre me ligam e a gente conversa bastante. Procuro ajudá-los da maneira que posso e sempre falo a verdade. Digo o que gosto e o que não gosto, mas no final a decisão é deles. E isso tem dado muito certo.
Como pais, nós adultos nem sempre achamos que as decisões deles são as melhores ou que o jeito como eles agem é o melhor jeito, mas é ótimo ver o que eles conseguem sozinhos, sem a nossa ajuda. Por exemplo, no ano passado eles fizeram dois eventos quase sozinhos. A apresentação da dança judaica da Avanhandava e da Chazit foi feita quase que 100% por eles. Eu acompanhei e ajudei no que pude, mas as decisões foram deles. E o resultado foi ótimo, um evento quase profissional. No segundo semestre eles organizaram a apresentação de uma peça de teatro para arrecadar dinheiro para a viagem de um dos grupos para Israel. Venderam mais de 700 convites e foi uma noite incrível de humor judaico aqui na CIP, na nossa casa. Tudo isso criado e levado adiante pelos jovens. O Departamento de Juventude está certo de que, dando cada vez mais voz aos jovens, e sempre estando por perto para ajudá-los, a CIP e a comunidade só têm a ganhar.
Como hoje você enxerga o futuro da CIP?
[Mariano] A idéia do departamento é trazer os jovens para a CIP. Não só aos sábados, através das atividades desses grupos, mas unir os jovens no sentido comunitário. Eu quero ver essa sinagoga lotada de jovens. Lamentavelmente, nos serviços de shabat, temos pouca presença da juventude. Se continuarmos a trabalhar forte com os jovens, a investirmos ainda mais neles e os convidarmos para fazer parte de nossa família, nosso futuro vai estar garantido. Se tivermos pouca participação dos jovens, nosso futuro ficará em perigo. Então, nosso ideal, o ideal dos profissionais da CIP, Ciça, Taly e eu, Juliana Alvarez, Miriam Vasserman e Flávio Moreira, é trazer os jovens para a Congregação. Trazendo os jovens vamos ter uma base muito mais forte para um futuro mais seguro e tranqüilo.
Acredito que o trabalho que vem sendo desenvolvido pelos nossos jovens somado à ajuda dos dois rabinos; tanto do Michel, que é um rabino jovem, que fala a língua deles e que os entende; somado à toda a experiência do rabino Ruben, que já criou uma comunidade em Barcelona e que foi diretor do Machon Le Madrichim em Jerusalém; é uma ótima mistura para a comunidade e para a CIP. Depositando confiança nesses jovens, ajudando-os e dando a eles as oportunidades que eles merecem, a CIP será a melhor das comunidades judaicas da América Latina. Isso eu falo com toda a certeza.
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